O homem inconfundível
15/12/2009
 
O Doutor Nestor, advogado, olhava distraído o movimento da Rua da Praia, desde a janela de seu escritório, quando notou - parado no meio da rua - um sujeito forte e grande, conhecido na cidade apenas pelo apelido de Marmota.

Era um tipo violento, de maus bofes, muito forte, nariz enorme e esborrachado, bem vermelho.

O Doutor Nestor sabia que esse homem ficava possesso se alguém o chamasse pelo apelido e que comumente brigava por causa disso.

Defronte ao escritório de Advocacia, do outro lado da rua, ficava uma tradicional camisaria, cujo gerente - o sr. Dorval - era um homem prestativo e educado.

O Doutor Nestor saiu da janela, telefonou para a camisaria, identificou-se com um nome qualquer, chamou o gerente e apelou à generosidade deste:

- Por favor, me faça uma gentileza. É que combinei encontrar-me com um cliente meu, bem defronte à sua loja e me atrasei. Peço a gentileza de que o avise para que não me espere mais. O nome dele é Marmota.

- Pois não! - respondeu o prestativo gerente, logo pedindo à pessoa que estava do outro lado da linha que desse mais detalhes físicos sobre o cidadão a localizar.

- É um homem bondoso, grande e pesado, cabeleira farta, bigode grosso e preto. Normalmente está de bombachas. Não tem erro, basta perguntar pelo senhor Marmota... - complementou o advogado.

O Doutor Nestor desligou o telefone e voltou à janela para saborear o desfecho. Ainda pode assistir o gerente Dorval, acertando quanto à pessoa a quem se dispusera a dar o recado, falando educadamente:

- Boa tarde, senhor Marmota! Tenho um recado para lhe dar!...

O coitado do Dorval só escapou da surra graças à intervenção da turma de terceiros.

No dia seguinte, no velho Foro Cível da Rua Siqueira Campos, só se falava nisso.

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Adaptado a partir do conto ´Marmota´ ("Anedotário da Rua da Praia - 1", de autoria de Renato Maciel de Sá Júnior - * 1941 + 1992)

Fonte: site Espaço Vital
www.espacovital.com.br


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