Quando era adolescente, fiz das minhas. Incomodei professores, fui suspenso. Jamais, nem no recôndito do quarto e do fundo da minha revolta, pensei em tocar num fio de cabelo daqueles que tentavam me educar. Agora o cidadão tem o desprazer de ver as seguintes notícias, no curto espaço de um mês:
– Professora é assaltada dentro da sala de aula por um ex-aluno.
– Professora é morta em assalto praticado por adolescentes.
– Médica é assaltada dentro de posto de saúde numa vila.
Inevitável perguntar onde foi parar a importância reverencial que as comunidades sempre dedicaram com relação a autoridades, fossem elas no aspecto jurídico (policiais, juízes) ou aquele tipo de poder que emana do respeito imposto pelo saber, como professores e médicos. Para alguns jovens afoitos, essa consideração não existe e nunca existiu. Culpa de ausência de referências familiares, das drogas, da falta de perspectiva. Contra esse vazio, não basta repressão. Só educação garante a volta de certos valores.
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